Botafogo vence o Flamengo e conquista vaga na final do Carioca

hakarl|2018-03-29

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No dia 10 de fevereiro, o Botafogo não apenas perdeu a semifinal da Taça Guanabara para o Flamengo. Transmitiu a triste imagem de um time de classe inferior, separado por um abismo das equipes com alguma pretensão de ter uma temporada razoável na elite nacional. Nesta quarta-feira, menos de dois meses depois, este mesmo Botafogo garantiu seu lugar na final do Estadual: 1 a 0 no Maracanã.

O jogo sinaliza muitas coisas. Primeiro, o quanto o alvinegro evoluiu com Alberto Valentim. Coletivamente, foi amplamente superior ao Flamengo no primeiro tempo, embora tenha corrido riscos demais ao aceitar a pressão rival no segundo tempo e oferecer pouco desafogo, manter o jogo transcorrendo quase todo ao redor de sua área. Há algo para o torcedor alvinegro se apegar, embora o ano ainda se apresente muito desafiador.

Síntese do primeiro tempo

O desfecho da semifinal do Carioca diz, também, muito sobre o Flamengo. Em geral, ser o mais poderoso financeiramente ajuda. Mas não se trata de um campeonato de finanças. O projeto esportivo rubro-negro ainda patina. Nesta quarta-feira, as confusas opções de escalação e substituições de Paulo César Carpegiani, originalmente contratado para coordenador e finalmente empregado como técnico, somaram-se a uma pobreza de repertório alarmante.

O gol de Luiz Fernando, que deu a vantagem no jogo ao Botafogo sete minutos antes do intervalo, serviu como síntese do primeiro tempo. Porque embora o Botafogo não tivesse mais volume, mais posse de bola, era claramente quem melhor trabalhava coletivamente no Maracanã. E o gol foi uma obra coletiva, após 13 passes. A bola saiu da defesa, chegou ao centroavante Brenner, voltou ao centro do campo, passou pela meia esquerda antes de Marcinho, que abria o campo pela direita, aproveitar as costas de Lucas Paquetá e cruzar para o arremate. Um lance que valeu o primeiro tempo.

No último domingo, o Botafogo de Valentim saíra do Maracanã com uma derrota justa, embora de placar grande demais. Nesta quarta-feira, o primeiro tempo deu a dimensão de sua evolução. O time se organizou e pareceu saber mais os caminhos que pretendia trilhar no clássico do que o Flamengo.

Valentim, ao lançar Renatinho, ganhou mobilidade num meio-campo que se fartou de desarmar Jonas e Willian Arão. E, pelos lados, quase sempre gerava superioridade. Pela esquerda, porque Vinícius Júnior raramente voltava para auxiliar Pará e a cobertura não acontecia. Pela direita, porque Éverton e Paquetá não encontravam posicionamento. Em 20 minutos, o Botafogo teve um chute de Luiz Fernando e uma cabeçada de Igor Rabello.

Carpegiani tentou ganhar força no meio ao iniciar sem Éverton Ribeiro e com Willian Arão, que tecnicamente jogou mal. Mas faltou mais coisa ao Flamengo. Fora as triangulações pelos lados, não havia outras ideias de como entrar na defesa rival. Coletivamente, o primeiro tempo foi ganho com sobras por Valentim.

No segundo, Carpegiani voltou com Cuéllar no lugar de Jonas, buscando iniciar jogadas com mais qualidade. E com Geuvânio na vaga de Arão. Mexeu em muitas posições, mas, ao passar Paquetá para o centro do campo, em tese daria a seu talentoso meia mais participação no jogo. E teria dois pontas — Geuvânio e Vinícius Júnior — mais agressivos. O desenho era melhor, mas a noção coletiva do time é frágil.

Bola na trave

E mais, Paquetá durou 17 minutos em campo até ser sacado por Marlos Moreno, presença surpreendente após raros minutos de uso na temporada. O Flamengo encomendou seu destino a Diego, que carregava o time, e a esforços individuais esparsos. Vinícius Júnior, na falta de opções coletivas, fazia seu jogo particular e se precipitava seguidamente. Ao menos tentava.

O Botafogo cometeu o pecado de marcar muito atrás, com raras saídas de contragolpe. Uma cratera estava aberta no meio-campo do Flamengo, mas o alvinegro só criou um lance de perigo. Poderia custar caro. Mas, diante das dezenas de cruzamentos rubro-negros na área, levou vantagem na maioria. O lance de mais perigo foi a cabeçada de Henrique Dourado na trave.

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